Mestre Marcelino

Dirigente de Minas questiona contas e estatuto da Confederação Brasileira de Taekwondo e diz ter sido ameaçado

 

Mestre Marcelino
Mestre Marcelino

Vice-presidente da Federação Mineira de Taekwondo (FTEMG), Marcelino Soares de Barros levantou suspeitas sobre as ações e o estatuto da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD) e afirmou ter sido ameaçado por um funcionário da entidade, que, diz, lhe telefonou em nome do presidente da mesma, Carlos Fernandes. As revelações foram feitas à equipe da ESPN Brasil e faz parte da segunda reportagem da série "O Mundo Encantado do COB".

 
Além de questionar as contas da entidade, Marcelino diz que conseguiu uma cópia do estatuto que está em vigor, o qual acusa de ser inconstitucional em vários pontos. Mais, diz que a versão lida na assembleia que reuniu as federações da modalidade não foi a mesma registrada em cartório, ou seja, dirigentes teriam aprovado um documento que, na verdade, era outro.
 
"Eu tenho como provar que este estatuto, amigos que participaram da assembleia, eu não participei, mas tem dois estados que participaram e afirmam que o estatuto que foi lido é um, e o que está registrado em cartório, que está nas minhas mãos, é outro", afirmou.
 

Marcelino, então, enviou uma carta ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, pedindo esclarecimentos, querendo saber se a entidade máxima do esporte olímpico do país homologou o estatuto, se a mesma teve acesso a este estatuto antes da sua aprovação. "Ninguém me respondeu nada! E por isso eu fui punido, porque o presidente acha que eu preguei contra a desordem no taekwondo brasileiro", disse.

Após a ação, Marcelino diz ter sido ameaçado. Um funcionário da CBTKD teria telefonado para ele em nome do presidente da entidade, Carlos Fernandes. "Eu tenho uma coisa para te falar, o presidente mandou te dar um recado. Que ele vai te destruir, que seu telhado é de vidro", teriam sido as palavras do interlocutor ao telefone, segundo o vice-presidente da FTEMG.

Marcelino, então, diz ter respondido "estar pronto para a batalha" e passou a investigar por conta própria as contas da CBTKD. Teve acesso ao balanço da entidade e diz ter encontrado "coisas absurdas". Ele relata que realizou um evento, o Campeonato Brasileiro Interclubes, na cidade de Itabira [acontecido entre os dias 27, 28 e 28 de maio de 2011], e que o relato dos custos da competição não aparece nos documentos oficiais.

"Foi repassado à Confederação um valor de R$ 13.500, e eu depositei na conta da Confederação o valor de R$ 10.500. Quando eu fui ver a prestação de contas, não achei isso lançado no balancete. Perguntei ao contador, que me disse: 'Olha, eu lanço o que a Confederação me manda'", acusa.
 
Por fim, o dirigente mineiro apresenta um documento no qual há suspeitas de fraude na licitação de uma empresa de consultoria contratada pelo presidente da CBTKD, Carlos Fernandes. Ele garante não ter a pretensão de ser presidente da entidade nacional.